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Ouviu cada palavra de ambos, sem ter muito o que dizer. O que a ruiva disse representava bem o que sentia, e o que falou da discussão o fez se tocar de como aquilo estava ridículo. -Você tem razão… -Disse, sem expressar quem tinha esta tal razão. -Elesis, me desculpe por isso. -Abaixou a cabeça, uma parte pela embriagues e outra pela própria vergonha. -Ercnard, eu não posso dizer que quis o que aconteceu. -Suspirou profundamente. Cada palavra do imortal parecia um violento soco. -Eu realmente era o braço direito da rainha. Eu realmente não percebi o que estava acontecendo. Eu manchei os campos de Vermécia com sangue, e a bandeira de nossa pátria junto. -Admitir aquilo doía. Choraria se estivesse mais bêbado. -Cazeaje bolou um plano muito bem articulado, prevendo cada passo e movimento de cada soldado que pudesse intervir em seus planos. Eu, sendo da guarda real, fui incluído nisto… É realmente uma desgraça sem tamanho… Mas não havia o que se fazer.

Tomou fôlego para levantar a cabeça. -Depois do assassinato do Rei, todas as vezes que pude testemunhar a dor da rainha e do reino, eu quase podia sentir todas aquelas vozes dizendo que eu era o culpado, mas eu consegui me manter de pé até hoje por que sei que eu teria salvo toda Canaban e morrido por ela, se tivesse essa chance. -Foi até a beira da sacada, apoiando-se no para-peito. Suspirou profundamente, voltando seu olhar para a lua. -A pior parte de acordar todos os dias com essa culpa, é que mesmo sabendo que não poderia evitar, EU me responsabilizo por isso… Apenas para deixar muito clara a verdade para vocês: Eu não sou apenas mais um nobre arrogante, antiquado e mente fechada. Eu percebi todos os erros que cometi e que toda guarda real cometeu. Foi por isto que fui aos campos de batalha.

-Virou-se para os dois. -Fala como se eu realmente fosse um deles, mas eu não sou. Quando me envolvi diretamente, eu corria realmente um perigo real, mas a morte poderia ser um alívio para esse soldado amargurado naquele momento. Eu senti vergonha a cada passo que dei, mesmo tentando participar dos sacrifícios do reino. Eu preciso admitir que qualquer soldado que lutou e morreu durante a guerra merecia muito mais do que eu consegui, mas eu não posso fazer nada pelos que já se foram e é ai que esta o ponto. -Fechou os olhos, buscando algum ponto de Harmonia naquele momento. -Quando eu encontrei a Grand Chase, vi uma oportunidade de me redimir diante dos meus próprios conceitos e talvez poder trazer a honra que perdi de volta a meu reino… Eu posso ter cometido muitos erros, mas todas as vezes que pronunciei sobre a Honra de Canaban foi para redimir o meu maior erro. Eu corri risco real durante todo o tempo que passei em nossa jornada e acredito que tenha sido a única coisa decente que fiz em minha vida.

Naquele momento, inclinou um pouco a cabeça e abriu os olhos, fitando os dois sem nem uma mínima ponta de desprezo. -Podem dizer ou pensar o que quiserem de mim, mas a única coisa que eu peço é que não desmereçam meu esforço; a única coisa que me orgulho até hoje. Eu lutei ao lado de vocês enquanto pude, e quero que se lembrem disto. Também se lembrem de que aqueles nobres só estão lá agora por que nós possibilitamos isto. Este baile não é uma reunião para nobres esnobes que só pensam em bem materiais, ainda que seja a maior parte dos participantes; é uma comemoração ao NOSSO esforço. -Voltou a fechar os olhos e suspirou fundo. -O que passou já se foi e eu não posso mudar o passado… É só.

-Eu não posso concordar com você. Entendo que tenha usado nosso grupo para se redimir e até acho muito honrado de sua parte tentar se superar, mas mantenho minha posição. O que aconteceu, aconteceu: Você, tanto quanto Cazeaje, é sim culpado por tudo isso. - Falou de súbito, assim que ele terminou. - E a reunião aqui hoje não é para comemorar nosso esforço, é para tampar o buraco que você, sobre os mandos e desmandos daquela bruxa, causou em todo o continente. Assim como todo o resto da Grand Chase em si.

Sieghart engoliu a saliva, estava bravo com tudo aquilo, com razão, e ouvir um sermãozinho de quinta sobre o quanto ele se sentia culpado? Por favor, ele devia se sentir culpado. Era, de fato, culpa dele.

Enfim, anuviou a expressão, tentando ouvir sua própria razão antes de atirar o outro de cima daquela sacada - também, havia demorado muito para que a ruiva estivesse menos chateada consigo pelas coisas que falara. Mas existia um problema na família que se chamava sangue quente. E não queria que ela ficasse, novamente, brava com ele por falar as coisas, para variar, sem pensar.

-É uma pena, realmente, ver uma criança como você que quer, tenta com todas as forças, pertencer ao nosso mundo. Acho muito digno de sua parte, até porque você diz compreender nossos sentimentos, diz saber do nosso ponto de vista… - Ele falou, tempos depois, tentando manter a diplomacia e esconder toda a raiva que sentia. - Mas fazer o que faz não vai redimir seu passado. Conviver com seu fardo não é mais que sua obrigação. Você escolheu fazer o que fez, diferente de Lass, - Dessa vez indicava para a ruiva. - que não tinha consciência alguma de toda a situação, de quem era ou de seu passado.Você deve se lembrar bem disso, foi você quem me contou. - Olhava para ela, explicando seu ponto de vista, depois sorriu breve e continuou, voltando o olhar sério para o arcano. - Mas você vem da mesma família que ela, Cazeaje. Você possui magia e sabe controlá-la. Ronan, você tinha tudo para evitá-la, conhecimento, vontade. Mas você preferiu seguir as ordens dela até que, ao ponto que ela tentou dominar seu corpo você percebeu quem era.

Então negou. Claro que conhecia a história, no século que resolvia se afastar de Vermécia todos resolviam destruí-la. - É uma pena o que aconteceu, mas não tente se eximir de seus erros. A vida não é justa para ninguém moleque, acostume-se com isso. - Depois suspirou. - E a única coisa que você pode se orgulhar de verdade de toda essa situação é que, graças ao seu erro, a Grand Chase foi criada. 

Palavras ao vento.

Bufou, irritada, enquanto virava o resto da bebida na boca; estava estressada e aquela coisa conseguia amenizar a um nível surpreendente o stress que aumentava de acordo que a conversa avançava para territórios incômodos. Como sabia que seria ignorada mais uma vez por ambos os canabanenses, preferiu manter-se em silêncio.

Engoliu saliva a seco e arrumou-se na sacada, tomando mais um gole de vinho para molhar a boca razoavelmente seca. Os gracejos estavam começando a constrangê-la; não se acostumara nem um pouco com a ideia de receber elogios por estar bela, ou ficando mais bela.

O campo de batalha é duro e banhado em sangue. Uma pessoa sem resistência mental não aguentaria passar muito tempo com os pés na terra batida e as mãos mergulhadas em sangue.

Rodou a taça na mão, vendo a bebida escarlate brilhar de forma interessante com a luz do luar banhando-lhe de forma sutil; os olhos e cabelos da ruiva tinham certo brilho escarlate também, embora mais vermelho que o da bebida.

O q-

Arrepiou-se brevemente com a mão do gladiador tocando-lhe no cabelo; o toque dava puxadinhas agradáveis. Se fosse um gato estaria ronronando naquele momento, mas graças as deusas a ruiva não era um gato. Simplesmente manteve-se em silêncio enquanto ouvia as palavras do moreno. Eram palavras tensas, ainda mais quando se tinha um nobre perto deles, e esse nobre tinha postado-se como uma pessoa tão boa e útil. - Mas Sieghart, não estamos generalizando…? - Perguntou-lhe, voltando o olhar escarlate para a face do mesmo.

-Alguns nobres também vão ao campo de batalha e passam os horrores da guerra.-Murmurou. -Está com raiva de mim, Sieghart? Sabe que não tem motivo para isto, não é? Eu participei de grandes batalhas com a Grand Chase, embora não sejam tantas quanto você. -Fitava-o com o canto dos olhos, recostado na parede.

Aquela conversa começava a ficar incômoda. Alias, será que a ruiva compartilharia da mesma opinião?

Ele fitou a ruiva de volta, mergulhando nos vermelhos dos olhos dela. - Desculpe, você tem razão. Estou generalizando. Mas posso dar, com certeza, essa opinião sobre os que conheci. - Ele continuou fazendo o carinho, ouvindo o murmúrio e as falas do outro canabanense logo depois. - Você achou que pertencia aos campos de batalha, Erudon. Você não nasceu pra isso. E foi você, também, o responsável por manchar o nome de nossa pátria. Não era você o braço direito da rainha quando ela estava possuída por Cazeaje? - A fala parou, a expressão dele tensionou um tanto. Ronan era culpado por aquilo. Era claro o desgosto do herói quando se lembrava da situação. - Não foi você o nobre quem achou que deveria descer de seu patamar e seguir ordens, quando não pode, nem mesmo, notar que nossa rainha estava nas garras daquela bruxa? Onde estava você quando Cazeaje assassinou nosso rei? Você dizia pertencer a guarda real. - Incriminou-o.

Depois limpou a garganta. - Desculpe, isso não é assunto para aqui ou agora. - E fez uma menção com a mão, como se findasse o assunto. - Não concordo com a posição dos nobres no salão, isso é tudo. - Falou.- E estar em um mesmo ambiente que eles enquanto eles proclamam ser os responsáveis pela paz é um insulto a tudo que fazemos, apenas. - Voltou a fazer o carinho nos cabelos ruivos, ele parecia se divertir mais com aquilo. As palavras ácidas saíram sem controle, ele estava em um ambiente de pressão, e quando deu por si falara toda a posição que tinha quanto ao draconiano. Quase se arrependeria se o canabanense soubesse de seu lugar quando Sieghart o chamou a atenção.

São palavras duras demais, nem tudo é o que vemos…

A ruiva suspirou, baixando o olhar para a taça com o líquido escarlate. Não queria fazer parte daquela discussão, ainda mais quando ambos os canabanenses estavam em Serdin rodeados de nobres que poderiam ter algum ressentimento. Território bem perigoso.

Arme… Não vi mais você, sua tampinha chata.

Pensou ao descolar o olhar pelas ruas iluminadas, bebericando mais um gole da bebida alcoólica. Felizmente não ficaria bêbada só com aquilo; provavelmente só um pouco embriagada. - Meu pai sumiu enquanto enfrentava as malditas forças de Cazeaje. - Murmurou em um tom razoavelmente sombrio, rodando a taça em mãos. - Muitos desses nobres que estão no salão reclamam de perdas materiais, e não de perdas humanas. Nem todos são ruins, e os que obedeceram ordens de Cazeaje eu acredito que tenham o feito sobre a influência da podridão da magia dela. Lembrem-se do Lass, e parem de ficar se alfinetando feito duas velhas imbecis.

-Entendo o que quer dizer -Disse depois de ouvir tudo. A noite estava realmente bonita. A cidade em sí era bonita, por mais que talvez não fosse fácil admitir. Tomara um pouco de ar, se recuperando um pouco dos efeitos alcoólicos. Olhou para a ruiva novamente. Esta estava ainda estonteante, mas tinha algo a mais. Estava sob a luz do luar, o que realçava cada traço de sua aparência.

-E-Elesis… você parece cada vez mais bonita. Sou eu que estou ficando mais sóbrio ou isso é a luz do luar em seu rosto? -Pergutou com certo sorriso. Não entendia por que o Imortal ficava tão furioso com suas atitudes, mas não era por isso que mudaria.

Ah, sim… “A santa lua que acairela de prata todas as árvores frutíferas…”

Ele realmente está passando dos limites. O imortal apoiou-se ao lado da ruiva, em silêncio no entanto, e cruzou os braços. Mais uma gracinha dessas e ele jogaria o outro canabanense de cima daquela sacada.

Estava de costas para a cidade - não tinha nenhum interesse nela -, mas ao virar a cabeça para fingir observá-la, fitava ambos: horizonte que clareava aos poucos, a própria cidade, e a ruiva.

O vento frio arrepiou-o, batendo em sua nuca e desarrumando os cabelos que demoraram tanto tempo para ficar no lugar. Ele suspirou. - Os nobres não tem nenhuma visão do campo de batalha. E não importa o quanto você explique pra eles, sem estarem lá, com frio, medo e fome… Eles não vão entender. - Falou em um tom baixo, meio que expressando seus pensamentos.

Era por isso que se sentia superior à todos os nobres lá embaixo: Ele passara por experiências que eles nunca entenderiam do conforto e calor de suas casas enquanto outros serviam para buchas de canhão.

Quando o vento bateu de novo alguns fios da franja ruiva da garota ao seu lado vieram em sua direção, fazendo-o reparar que aos poucos não era só ele que se desmontava, mas o penteado dela parecia mais natural agora. Mais de acordo com ela.

Penteou alguns fios soltos, tentando colocá-los no lugar com delicadeza. - Os nobres não pertencem ao mesmo mundo que nós. - Ele falou, deixando bem claro que impunha uma diferença entre os dois e o terceiro canabanense. - Porque eles não tem a menor noção do que passamos e ainda passaremos de dentro de suas residências caras e fortunas a contar. - Apesar da frase tensa, ele continuou fazendo o movimento de antes, como se fosse uma conversa natural, aos poucos conseguia arrumar alguns dos fios ruivos, impedido de sentir a maciez das mexas por conta de suas luvas.

Engoliu saliva a seco e arrumou-se na sacada, tomando mais um gole de vinho para molhar a boca razoavelmente seca. Os gracejos estavam começando a constrangê-la; não se acostumara nem um pouco com a ideia de receber elogios por estar bela, ou ficando mais bela.

O campo de batalha é duro e banhado em sangue. Uma pessoa sem resistência mental não aguentaria passar muito tempo com os pés na terra batida e as mãos mergulhadas em sangue.

Rodou a taça na mão, vendo a bebida escarlate brilhar de forma interessante com a luz do luar banhando-lhe de forma sutil; os olhos e cabelos da ruiva tinham certo brilho escarlate também, embora mais vermelho que o da bebida.

O q-

Arrepiou-se brevemente com a mão do gladiador tocando-lhe no cabelo; o toque dava puxadinhas agradáveis. Se fosse um gato estaria ronronando naquele momento, mas graças as deusas a ruiva não era um gato. Simplesmente manteve-se em silêncio enquanto ouvia as palavras do moreno. Eram palavras tensas, ainda mais quando se tinha um nobre perto deles, e esse nobre tinha postado-se como uma pessoa tão boa e útil. - Mas Sieghart, não estamos generalizando…? - Perguntou-lhe, voltando o olhar escarlate para a face do mesmo.

- Lothos vai arrancar a minha cabeça se acontecer mais alguma coisa que suje o nome da Grand Chase.- Sussurrou para o imortal, procurando acalmar-se e voltar o olhar pelo recinto. Sentia olhares, e isso não era interessante.

Diversas sacadas, e eu estou aqui!

Claro, a fala do imortal fora simplesmente magnífica! - Isso! Todo mundo vai ficar bem melhor se tomar um ar fresco! Aqui está puro álcool, e tem muita gente… - Comentou, sorrindo enquanto colocava-se para andar; a última coisa que precisava era de mais um sermão da Lothos por alguma tragédia acontecer e o nome da Grand Chase estar envolvido. 

-Tem razão, Ercnard, eu devia tomar mais cuidado. -Respondeu um tanto constrangido. -Acho uma boa ideia. Vamos. Acho que a Chuva já passou. Se não, é só ficar em algum lugar mais coberto. -Disse deixando seu vinho na bandeja de um Garçom que por lá passava. Infelizmente, ele não trazia nenhuma babida, somente recolhia copos usados. Estava disposto a acompanha-los aonde quer que fossem a partir do comentário do Moreno. Elesis parece tão preocupada. Melhor eu me cuidar mais. Só não entendi por que o Ercnard esta tão estranho… No mínimo esta bêbado também.

-O que tem as sacadas, Elesis?

Ele foi o primeiro a seguir a ruiva, logo depois a guiando escadas acima, achando uma porta alta de vidro com armações de madeira escura, a abrindo.

De fato a chuva parara. As nuvens que cobriram o céu por tanto tempo agora começavam a se dissipar. O moreno respirou fundo, contente por aquele espaço aberto. Soltou as portas, saíndo do ambiente anterior, e caminhou para dentro da sacada arejada. - Bem melhor. - Comentou. Apoiou-se em um dos parapeitos de pedra, notando que já nao estavam mais molhados, afrouxava um pouco a gravata em seu pescoço, sentindo-a apertar. - Tive que aguentar a noite inteira desses nobres chatos sem uma gota de álcool em minha mente. - Falou, finalizando o copo que havia trazido consigo por mera ação mecânica.

Descartou o copo de lado e notou que fazia frio lá fora, olhou para a ruiva, oferecendo seu casaco, mesmo que mudo deixou-se entender, e depois fitou o azulado que parecia quase tropeçar em suas próprias pernas.

- Hm, vamos sair daqui e eu lhe explico. - Falou para o rapaz e apressou o passo, acompanhando o gladiador para fora daquele salão afogado em cheiro de álcool. Foi uma coisa muito agradável abrir aquela janela e sentir o ar frio tocando-lhe a pele -mesmo que desse um pouco de frio-.

- Sacadas são uma ótima escapatória pra quem não quer lidar com serdinos bêbados. - Sorriu de canto, respondendo a pergunta do azuladinho. - E digamos que não estou com muita vontade de ouvir o quanto a Grand Chase mina riquezas e ainda destrói Canaban. - Bufou irritada e pegou o casaco do imortal de bom grado, vestindo-o para aliviar um pouco do frio. - Bando de ricaços… Acham que somos máquinas para ficar fazendo missões sem descanso. - Resmungou, apoiando-se na grade da sacada para observar a noite. Era uma cidade bonita, no fim das contas.

-Ainda não estou bêbado! Eu tomei apenas um copo de vinho e mais esse. Isso não pode ser possível.. -Respondeu. -Ah, certo Elesis. Serdinos. -Notou sua gafe, coçando a nuca novamente. -Ah, posso tomar um pouco de água sem problemas. Será que tem algum garçom por aqui? -Aproveitou para procurar por um.-Não se preocupem, eu não vou cometer mais destas gafes. Posso garantir-Disse quase que como um pedido de desculpas por seu erro.

-Grand Chase ou não ele não é minha responsabilidade e, além disso, não sou babá de criança. - Sussurrou de volta, completamente ignorado e contrariado, resolveu que ia fazer os quereres da ruiva, que tomou os passos sem que ele nem mesmo houvesse concordado.

-Tem vários. - Comentou o óbvio. - E você, sendo fraco assim para bebida, deveria ter mais controle sobre o álcool que bebe. - O repreendeu. Onde já viu! Um nobre pomposo daquele querendo cortejar sua ruiva e ainda dar a desculpa de bebida. Resmungou baixo apenas para si.

Sem mais saída, sabia que Elesis não sossegaria até que Ronan estivesse longe de lugares que ele pudesse, possivelmente, envergonhar a Grand Chase inteira. - Vamos lá para fora, todos. Um ar fresco vai fazer bem a cada um de uma maneira diferente. - Sentenciou, tentando esconder sua contrariedade.

- Lothos vai arrancar a minha cabeça se acontecer mais alguma coisa que suje o nome da Grand Chase.- Sussurrou para o imortal, procurando acalmar-se e voltar o olhar pelo recinto. Sentia olhares, e isso não era interessante.

Diversas sacadas, e eu estou aqui!

Claro, a fala do imortal fora simplesmente magnífica! - Isso! Todo mundo vai ficar bem melhor se tomar um ar fresco! Aqui está puro álcool, e tem muita gente… - Comentou, sorrindo enquanto colocava-se para andar; a última coisa que precisava era de mais um sermão da Lothos por alguma tragédia acontecer e o nome da Grand Chase estar envolvido. 

Piscou algumas vezes ao ver o azulado elogiá-la de forma bem… Livre, solta. Com toda certeza não conhecia ainda a fúria do imortal. Sorriu brevemente, murmurando um agradecimento meio sem jeito e bebericou mais do vinho, apreciando o gosto doce da bebida. Ao bem da verdade… Não tinha mais alguma coisa para falar, só vagava o olhar pelo salão, observando alguns olhares curiosos que se voltavam para o local onde estavam.

-Não se preocupe, Ercnard. -Sorriu bobamente como antes. -Isso é um elogio para você também. Você tem ótimos Genes. -Disse apontando levemente para o imortal enquanto gesticulava o que dizia. -De nada, senhorita. -Seu sorriso ficava mais bobo quando olhava para ela. Realmente nunca tinha a visto assim, e Elesis estava estonteantemente bonita.

Tio Sieg esta meio estranho… Deve estar meio bebado também, nada demais. Pensou.

-Eu estou justamente aproveitando para relaxar um pouco e me descontrair. -Respondeu. Deu mais um gole no vinho, que agora estava em um quarto do copo. -Poxa, os vinhos s-e-r-dinianos são ótimos! -Comentou, enrolando-se ao tentar pronunciar o adjetivo referente aos nascidos em Serdin.

Não estou me preocupando, só não te dando a liberdade nem o direito de cortejar a ruivinha. Mordeu a língua mantendo o pensamento para si mesmo. 

Observou o papelão que ele fazia. - Você está bêbado Erudon. - Ele o censurou. - Não tenho tempo para nobres da sua estirpe que estão alcoolizados. - Explicou. Suspirou no final e negou, projetando o corpo como se estivesse se preparando para andar.

-Vamos Elesis? Não quero ser cúmplice de vexame alheio…

Piscou novamente, meio boquiaberta pelas atitudes do azulado. É, ele queria mesmo morrer aquela noite. Armando um sorrisinho de canto, deslocou o olhar meio preocupado para Sieghart.

- Nós não podemos deixar ele assim! Ainda é da Grand Chase! - Sussurrou bem baixinho para o imortal, dando-lhe uma leve cotovelada na costela. - Err Ronan… Vinhos serdinos. - Comentou meio sem graça, corrigindo-o pela gafe numa terra relativamente hostil a ele; aquela situação estava começando a ficar estranha. E ela ainda nem estava embriagada. - E hm… Melhor parar por aí, né? Acho que um pouco de suco ou água faz bem… 

- Tentar beber mais uma vez… - Ficou um pouco pensativa, mas no fim aceitou uma taça de vinho tinto suave que um dos garçons trouxera em uma bandeja; obviamente não sabia o que era até perguntar ao garçom e o mesmo responder.

Não parece ser tão ruim.

Bebericou levemente da bebida, e o gosto doce da uva tinta misturada com o leve frescor do álcool agradou a espadachim. Mas claro, não beberia muito por puro trauma do que ocorrera em Canaban. - Vamos então, lá fora aparenta estar mais agradável. - Sorriu de forma calma e aceitou a ajuda que o imortal oferecera para levantar-se, movimentando brevemente os pés para testar o nível de dor deles. Assim que levantara-se com a taça de vinho, ouviu alguns comentários imbecis de alguns revoltados; o acidente fora recente, logo, ainda estava bem viva a lembrança da destruição. Só revirou os olhos e continuou a curtir a noite; mas era óbvio que estava começando a pegar um pouquinho de antipatia dos nobres.

Aproximou-se caminhando naturalmente. Ao chegar perto o bastante para ser ouvido, cumprimentou os dois elegantemente. -Olá, pessoal. Como estão? -Sorriu para os dois. Continuou se achegando até estar ao lado deles, em pé. Parecia estar se levantando, logo não valia a pena se sentar naquele momento, pois queria acompanha-los. -Aproveitando a festa? -Não aparentava, mas estava levemente embriagado. Ainda não o suficiente para demonstrar. Enxergava as coisas de uma maneira um tanto estranha, porém até bem nítida; o que facilitou que notasse a beleza da ruiva naquele momento. -Minha nossa, Elesis… Você esta um encanto das deusas! -Sorriu um pouquinho abobado, coçando a nuca com sua mão livre.

Pior agora, obrigado por perguntar. Pensou consigo mesmo, logo depois disfarçou um sorriso, tentando continuar com sua postura cortês. - Ronan, você ainda está na minha presença. - Quase grunhiu as palavras, deixando a indireta no ar. - Controle-se.

Ronan era toda a escória que não suportava: Um canabanense que acha que faz alguma diferença só porque era nobre. Tão irritante quanto todos os outros do salão, e tão estúpido quanto eles também. Limpou a garganta, tentando camuflar o desgosto. Já não estava muito agradado ali, quando finalmente estava mais tranquilo aquele traste aparecia.

-Estamos tentando aproveitar nosso tempo longe da festa… - Ele sorriu, deixando a frase aberta aos mais variados pensamentos e interpretações enquanto dava outro gole de sua bebida. - E você? - Perguntou apenas por educação.

Piscou algumas vezes ao ver o azulado elogiá-la de forma bem… Livre, solta. Com toda certeza não conhecia ainda a fúria do imortal. Sorriu brevemente, murmurando um agradecimento meio sem jeito e bebericou mais do vinho, apreciando o gosto doce da bebida. Ao bem da verdade… Não tinha mais alguma coisa para falar, só vagava o olhar pelo salão, observando alguns olhares curiosos que se voltavam para o local onde estavam.

-Curioso. - Foi tudo o que comentou, olhando adiante para o salão. Se perguntava por que até aquele momento tinha se afastado tanto da ruiva. Talvez devesse ficar afastado. Ele pensou, lembrando-se das ideias estranhas que rondavam sua mente.

Suspirou baixo. - O que quer fazer agora? - Perguntou, meio que só por não deixar o silêncio pairar. - A noite só está começando…

- Curioso e irritante. - Inflou as bochechas novamente, logo tomando um belo gole de água; percorrendo o olhar pelo salão, notou que raras pessoas estavam bebendo coisas que não fossem alcoolizadas.

Bebidas alcoólicas são tão boas assim?

Perguntou-se enquanto arqueava levemente uma das sobrancelhas e parava realmente para observar o salão. Pessoas bêbadas fazendo coisas de bêbados, bebidas para todos os lados, garçons andando para lá e para cá com bandejas cheias de bebidas e quitutes… Então era essa a realidade dos famosos bailes de contos de fadas?

- Hm? Ah! Não tenho nada em mente. - Confessou ao imortal, suspirando brevemente; francamente, não fazia ideia do que fazer naquele momento além de dançar ou… Seguir o que os outros convidados faziam. Beber. Comer. Conversar.

-Não acho nada demais, realmente. - Ele falou sobre as bebidas, confessando. - Gosto quando é amarga, ou quando é bem forte, mas não é nada demais, imagino. - Afinal o álcool realmente não fazia diferença nenhuma em sua vida.

O baile não era nada demais afinal, as pessoas, aglomeradas naquele salão, e o fato que lá fora chovia, tudo se acumulava em um fato só: aquele lugar começava a feder à abafado e à álcool. Torceu o nariz, descontente.

Ouviu então sua última frase, a fitando por um momento. - Quer achar algum outro lugar? - Ele perguntou. - O salão está começando a feder à álcool. - Confessou para ela, claramente não tinha nada a ver com querer passar mais tempo com ela sem tanto burburinho em sua mente. Claro que não!

- Eu bebi aquela coisa estranha em Canaban e não deu muito certo… - Riu baixo, lembrando-se do quanto o mundo ficara colorido e mais alegre com aquela coisa, até o suposto rival do Jin aparecer e bagunçar tudo de vez.

Acho que não faz mal tomar uns golinhos de alguma bebida conhecida…

Pensou, seriamente tentada a pedir ao imortal alguma sugestão de bebida. Estava acompanhada dele, logo, não teria muitos problemas, afinal, se estivesse passando dos limites teria alguém para puxá-la pela orelha.

Mas olha… Lass e Holy dançando…

Deu uma risada baixa ao ver os dois dançando um tanto quanto distante; fazia tempo que não via Lass, mas estava acostumada com as ninjisses dele; era difícil encontrá-lo, mas fácil para ser encontrada por ele. Se ele queria ocultar-se, ocultava-se de forma que ninguém o encontrava.

Sim… Lass é meio coisado assim… O jeito é manter-me encontrável.

Suspirou dando um sorrisinho de canto; era um pensamento deprimente, de certo modo, mas era uma verdade. Atentou-se ao ambiente do salão quando o imortal mencionou, notando que estava com um cheiro bem mais forte que percebera anteriormente. - Pode ser. - Deu de ombros, dando o copo quase vazio para um dos garçons que passavam por ali.

-Você só deve ter exagerado. - Ele riu. - Mas de qualquer maneira, álcool não faz efeito em mim. - Explicou, mas deixou e lado. Assim, quando o garçom passou, aceitou outro copo de whisky, bebericando breve. - Não quer tentar de novo?

Os casais dançando na pista o dava certo conforto, olhá-los dançando o dava uma sensação de que a noite não acabaria nunca, mas também não o lembrava dos nobres pomposos que sempre pareciam estar em grupinhos, conversando sobre as mesmas coisas de sempre - que era o que o emputecia.

Com a semi afirmação dela, ergueu-se. - Acredito que a chuva tenha amainado um pouco, quer respirar um pouco de ar puro? - Perguntou. - Tem várias sacadas pelo que eu vi. - Sorriu e estendeu a mão para que ela se erguesse.

- Tentar beber mais uma vez… - Ficou um pouco pensativa, mas no fim aceitou uma taça de vinho tinto suave que um dos garçons trouxera em uma bandeja; obviamente não sabia o que era até perguntar ao garçom e o mesmo responder.

Não parece ser tão ruim.

Bebericou levemente da bebida, e o gosto doce da uva tinta misturada com o leve frescor do álcool agradou a espadachim. Mas claro, não beberia muito por puro trauma do que ocorrera em Canaban. - Vamos então, lá fora aparenta estar mais agradável. - Sorriu de forma calma e aceitou a ajuda que o imortal oferecera para levantar-se, movimentando brevemente os pés para testar o nível de dor deles. Assim que levantara-se com a taça de vinho, ouviu alguns comentários imbecis de alguns revoltados; o acidente fora recente, logo, ainda estava bem viva a lembrança da destruição. Só revirou os olhos e continuou a curtir a noite; mas era óbvio que estava começando a pegar um pouquinho de antipatia dos nobres.